LMA
Brand Management & Produção

Reserva dá mais um tiro no pé

Por Felipe Lima | Agência LMA

Responda rápido: com o histórico escravocrata que o Brasil viveu, e só se extinguiu em 1888, qual seria a sua reação ao ver manequins negros amarrados pelos pés e de ponta cabeça?

A marca Reserva começou 2016 com o pé esquerdo, e logo cometeu mais uma de suas gafes. A falta de Gestão de Marca da empresa colocou em cheque toda a sua reputação, nos levando de volta aos piores dias do século XIX.

Em meio à tantos avanços sociais na busca por equidade. Será que os consumidores vão engolir mais essa?

loja reserva

“Reserva. Sempre um mau gosto para montar vitrines e passar mensagens”, escreveu Douglas Soares na noite desta segunda. “Práticas de tortura e racismo em pleno shopping. E não sou só eu que está falando. Eu nem tinha reparado na vitrine até uma senhorinha negra passar ao meu lado e falar para si mesma: ‘que horror!'”, comentou o internauta no post que já teve 150 compartilhamentos.

A assessoria de imprensa da Reserva emitiu um comunicado, dizendo que os manequins são tradicionalmente pintados de preto e vermelho, seguindo a identidade visual da grife, e nas épocas de liquidação eles são pendurados pelos pés, para causar mais impacto: “A marca transforma o visual da loja, incluindo o letreiro da fachada e peças expostas, não havendo qualquer intenção ou traço de racismo na estratégia de marketing”. A Reserva também disse que: “o compromisso com a igualdade de gêneros e raça é uma das bandeiras que carregamos com afinco”.

Preconceito: um erro irremediável

Na minha visão como Gestor de Marcas, episódios assim são inadmissíveis à empresas do século XXI. Além de ferir gravemente a reputação da marca no mercado, foi um grande insulto à toda comunidade afro-descendente. Empresas pecam ao não investir em Gestão de Marca, vivemos uma época em que é preciso conquistar a empatia do consumidor todos os dias.

Esta não é a primeira vez que a grife carioca é centro de polêmicas envolvendo preconceito. Em abril do ano passado, a marca colocou manequins com cabeças de veado e macaco e os dizeres “O preconceito está na sua cabeça”. A campanha foi acusada, na época, de desmerecer militância negra e LGBTTT. Em outro caso, a UseHuck, etiqueta parte do Grupo Reserva, lançou a ação “Somos Todos Macacos”, que também foi muito mal vista pela comunidade negra.

Deixamos você com a pergunta: Será que o preconceito está em nossas cabeças?

*Felipe Lima é Consultor e Gestor de Marcas, pela Agência LMA. Contate-o através do e-mail: felipelima@lma.global


 

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